Depois de um café da manhã muito gostoso partimos para Altos Cedros.
Segundo relatos de vários blogs, esta seria a hospedagem mais sem recursos da viagem.
Todos os autores recomendavam que quem fosse ficar no Raulino deveria combinar com ele uma carona de bote até a casa, para evitar ter que rodar mais 5 km de bike que seriam desnecessários.
Foi o que fizemos.
O Raulino mesmo ligou no noite anterior para a Bella Pousada atrás de nós e combinamos a carona para as 15 horas.
O trajeto contava com 2 subidas fortes, mas o cansaço do dia anterior nos fez acordar um pouco mais tarde. Saímos às 9 horas.

O caminho é lindo, mas pouco sombreado e realmente bem vazio.
Passamos por várias porteiras (que devem ser deixadas como foram encontradas).
Uma parada imperdível é a do Véu da Noiva.
Tem um bar/restaurante imenso ali, com banheiros limpos, refrigerante gelado...
A caminhada até a cachoeira foi complicada porque tinha chovido muito.
Eu só faria novamente se o solo estivesse seco.
Foi escorregadio, chato...
Mas o visual é lindo.

Depois da cachoeira é difícil arranjar algo para comer e até mesmo água, portanto seja precavido.
O trajeto é bem distante de cidades. Passa por lugares bastante isolados, cheios de mosquitos, abelhas e afins.
É um dos dias mais difíceis no aspecto psicológico.
Para quem está acostumado com agito, é um silêncio só.
A única companhia é a araponga, que grita insistentemente o dia todo.
Tem trechos muito bonitos.
Um dos mais bonitos e mais perigosos é a travessia do Rio Palmito.
Não adianta, você terá que passar por ele. É bem rasinho mas o fundo é de pedra.

O Marcos foi prudente e decidiu que deveríamos passar a pé.
Sábia decisão. Depois soubemos que um acidente neste ponto teria decretado o fim da aventura de alguns ciclistas. Um deles escorregou e teve uma luxação séria em decorrência do tombo.
Olhe, se acontece alguma coisa assim neste ponto a coisa fica difícil, pois não tem nada por perto, a não ser aquela casinha que estava bem vazia.
Atravessando...

O calor ajudou e nos divertimos

Seguimos viagem.
Chegando em Altos Cedros, avistamos uma grande pedra branca. Já eram 14:30. O caminho para o bote seria virar à esquerda nesta pedra e procurar uma bicicleta laranja. Esta tarefa foi difícil. Descobrimos a tal bicicleta encrustada no muro de uma casa bonita à beira da barragem.
É a dona desta casa que avisa ao Raulino que os hóspedes chegaram.
De repente aparece ele num barquinho pequenino azul a motor. Foi difícil caber as duas bikes e nós 3. O barco é instável e me deu medo. Não de cair, mas de perder equipamentos eletrônicos, nossas coisa, enfim.
A represa é linda.

Chegamos na propriedade e Raulino nos indicou uma casinha em frente à dele.
Tomamos um café com bolo e fomos tomar banho.
A casa é simples, mas bonitinha.
A cama é beeeem dura e os mosquitos proliferam aos montes.
Agradeci imensamente por ter trazido o protetor elétrico.
Não tem a menor condição de ficar lá sem isso.
Fomos chamados para o jantar.
Muito fraco.
Arroz, bife acebolado sem molho e tomate.
O tomate era maravilhoso, salvou. Mas a comida estava muito fraca.
Pegamos algumas cervejas e fomos para a casa.
Eu estava muito mais queimada do que no início, então foi cuidar da queimadura e dormir.
As cortinas não dão conta da claridade, mas pelo menos o visual é lindo.

O Raulino é a calma em pessoa e faz de tudo para agradar. Minha mãe ou a mãe do Marcos ligou, não lembro ao certo, e eles foram muito solícitos, atenderam bem, nos chamaram, se colocaram à disposição para tudo, enfim.
Hospitalidade é o que não falta.
Mas a hospedagem é MUITO cara pelo que oferece. Custa mais do que ficar nas melhores paradas do Vale Europeu, mas a qualidade é muito inferior. MUITO.
Análise da hospedagem
Hospitalidade 4
Conforto 1
Limpeza 3
Alimentação 1
Recomendo que conheçam o lugar se forem parar em Altos Cedros.
É diferente, exótico. Mas estejam preparados. Talvez seria melhor ir preparado com comida. O problema é que no caminho não tem onde comprar. Você teria que rodar ali por pedra branca e duvido que fosse achar alguma coisa.
Se eu fosse refazer o Vale, não ficaria lá mais.
Tudo bem ser simples, é bacana. O problema é que o preço não condiz.
Além disso a comida é fraca demais para quem está no meio do nada e não tem como recorrer a uma lanchonete ou padaria.
Minimamente um feijãozinho naquele arroz né?
Não curti.
Resumo do dia:
42 km
1270 m de elevação
1530 cal
5 horas em movimento